O empresário placebo

Estamos todos obsessivamente em busca da verdade, funciona mesmo ou não, dá resultado ou não dá resultado, é bom ou não é… Enquanto desviamos nosso olhar para a pureza destas respostas, a evidência, nós deixamos de ver o óbvio. Exemplificando recentemente Stallone, o astro de Hollywood, entre gravações de seu último longa metragem numa floresta brasileira, ao ser advertido pelo IBAMA pelo barulho produzido nas filmagens, prejudicando então os macacos residentes, indagou: que macacos? O fato é estarrecedor, pois embora não os visse dentre as árvores, a falta da evidência, a fez crer que não existissem… Que me perdoe Descartes em sua célebre frase “penso, logo existo”, mas apropriadamente neste caso: se não vejo, penso que não existe…

Mauro podia ser um destes macacos que Stallone não viu, um brasileiro formado em Oxford, desfilava um currículo invejável: MD, PhD, CEO e VIP voltava ao Brasil. Rapidamente requisitado por empresas, ministrava palestras. Terno impecável e dono de uma requintada sistemática debulhava generosamente sua cartilha para ouvintes que imediatamente respondiam com muita emoção. Os resultados positivos de Mauro para as empresas eram observados imediatamente: melhora no ambiente organizacional, aumento de produtividade e conseqüente lucro financeiro.

Estava tudo indo muito bem até que a assessoria de imprensa de uma das empresas clientes de Mauro disse: esse cara é placebo! Placebo tecnicamente falando é um termo usado para expressar um efeito positivo oriundo de uma “falsa” intervenção. Sem, seu princípio ativo, a substância, o “conhecimento verdadeiro nuclear”, conteúdo ou centro, estas intervenções transformam pelo que está ao redor delas, a casca, seus contextos e suas circunstâncias. Agem por mecanismos de ação que agora a ciência vem revelar:

1)                            Expectativa: é o principal mecanismo de ação destas intervenções. Palestrante famoso, com títulos no exterior, reforçado pela aparência impecável, ambiente suntuoso e atitude generosa deixava os ouvintes excitados com a possibilidade de encontrarem ali a solução para seus problemas, antes mesmo de ouvir o que tinha a dizer.

2)                            Condicionamento: a sistemática requintada que propunha a seus ouvintes requeria esforço e dedicação. O ritual criado para que fosse repetido sempre ao chegar ao escritório tinha a força de uma oração. Relembrava as pessoas de seus objetivos cotidianamente moldando as suas atitudes ao longo do dia.

3)                            Motivação: falar ao coração das pessoas dava mais motivos, energia, àqueles que arduamente garimpavam uma oportunidade. Sem abandonar a razão, esta residia na boa explicação que encontrava, em sua imaginação, para fenômenos comuns. Reforçada ainda pela constante busca por significado ou propósito que retirava de fatos considerado por muitos aleatórios… Tudo isso, conspirava em direção a premiação final… “O topo, o céu”.

Valendo-se da evolução natural creadora e multipartidária que a vida possui, atribuía seu resultado positivo humildemente a Deus. A despeito desta ou daquela empresa mais sisuda ou crítica em busca de um “DNA da verdade”, 50% de resultados positivos não eram de se jogar fora… Desta forma nosso palestrante paulatinamente conquistou simpatizantes, arrebanhou adeptos e criou súditos até constituir a Igreja Universal PARATODOS e se tornar, o pastor Mauro.

P.S.: Stallone continuou sem encontrar evidências de sua existência…

5 thoughts on “O empresário placebo

  1. Assessoria é a grafia correta.No texto consta como acessoria.Favor corrigir e observar nos artigos.Pouco entendi da lógica do Stallone no texto, mas se em futuros artigos surgirem novos erros de Português,vamos pensar q a inspiração foi dele, q pelo visto não pode entender tanto de nossa língua.
    Boa noite.DJB

    1. Caro colega Dalvio Bertó.

      Gostaria de constatar que, assim como nosso colega Edgard, o senhor tambem tem erros de Português.
      Primeiramente, gostaria de indicar que o seu NOME, caro colega, comeca com letra maiúscula (“Dalvio”, e não “dalvio”). Tambem gostaria de apontar para o erro em seu sobrenome, que tambem deveria constar de letra maiúscula (“Bertó”, e não “bertó”).
      Claro, para finalizar meu comentario, o qual tenho certeza absoluta que está sendo de muita ajuda para vossa senhoria, gostaria de apontar para o erro em “vamos pensar q a inspiração foi dele…”.
      Meu caro colega Dalvio, o senhor novamente cometeu um erro, pois não se escreve “q”, e sim “que”.
      Favor corrigir e observar nos comentarios.
      Boa noite.

  2. Edgard, perfeito! Adorei o texto. Realmente é assim mesmo que acontece. Expectativa e condicionamento são a chave do “mistério”. O “glamour” de que se envolvem essas pessoas (os Mauros) é mais uma peça que faz a multidão, usando antolhos, seguir esses “gurus engravatados” sem questionar nada. O que mais me impressiona é que eu conheço pessoas inteligentes e esclarecidas que, não consigo entender o porquê, parecem que passam por uma lavagem cerebral.

    Gostei mesmo foi da analogia com o nome ‘efeito placebo’ para o Mauro da estória.

    Muito bom mesmo, acho que esse foi o melhor texto seu que já li. E olha que você só traz assuntos excelentes, ao seu blog. Parabéns.

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