Amigos de “copo, de viagem, de bagunça e de perrengue…” há mais de 40 anos. De mesma estatura física e intelectual, componentes da turma do Elefante Branco, campeões de zoação, esses nanicos foram separados pelo Whatsapp.
De certo que já ouviram falar desse tipo de problema na pandemia, na política ou mesmo no futebol. Essa ferramenta sem dúvida aproxima e separam pessoas. Por ser sujeitas a má interpretação por esquecer o tom em detrimento das palavras. Fazer parecer que estamos a sós no banheiro de nossas casas. Esbravejando emoções e crendices sublimam o devido controle, o outro.
Acredito que não seja somente um problema de comunicação que promove o distanciamento. Por traz se esconde algo mais antigo e indelével a todos nós:
– Se esse Mengo é favela… Logo favelado você é.
– Quem vota no Lula é ladrão!
– Bolsotários!
Será que podemos fazer uma ligação tão direta assim? Afinal se todos sabem que fumar mata todo fumante deveria ser burro ou suicida. Esse pensamento binário de ser isso ou aquilo em nada ajuda a entendermos um problema que não tem relação com sucessos ou insucessos. Escolhas são uma medida resumo, uma síntese que normalmente fazemos em cima de variáveis que nos encantam. Não são baseadas em resultados nem futurologia. Aliás é o pequeno que entra em nossos corações. O filho mais indefeso é o que nos faz tremular nossas bandeiras. E isso não nos torna mais burros, Franciscanos ou empoderados. Identificar-se é pertencer e esse sentimento nos dá direcionamento, significado a nossas vidas. As escolhas de criança ou adolescência como times de futebol ou grupos políticos caminham conosco até a morte, pois fazem parte de nossa personalidade a despeito de ser vencedores ou perdedores. O estrelato ou fracasso não muda nosso eu, apenas distrai. E isso não nos transforma em líderes ou canalhas.
– Eu não falo mais com aquele fdp…
Como estruturamos nossa persona? Como construímos nosso existir? Como nos apresentamos aos grupos, comunidades? Essa é a base da discórdia mas tambem é o elo, como macho e fêmea ao mundo em que vivemos.
A boa amizade, o bom casamento não é aquele em que haja semelhança absoluta entre os pares, pois dessa forma nada teríamos a somar. Cumplicidade está mais próximo da tolerância do que dá afinidade. Em troca ainda ganhamos uma boa rizada… E não há nada melhor que isso…
Dedé e Zangão continuam sem se falar…
